O poema nasce
como o rescaldo de uma fruta
começa a sentir o mundo:
antes devagar, como se
a vida não lutasse contra o tempo
(e não luta)
abrindo o peito para a lâmina,
mas envolto em feno
O poema nasce
como nascem milhões de homens;
cresce
como crescem as folhas incrustadas nos muros;
o poema apodrece
como a vida
quando já agoniza o tempo,
- cercando-o -
como faz o poeta ao libertar o poema
e assim fechar as portas
do mundo
II
Antes não fosse
um poema
- antes fosse
um fluxo de luzes,
móveis,
cinemas,
antes -
mas de dentro de um poema
surge
esse açúcar
dissolvido na boca
que fundimos
em vida.
Se gostas do Sabato, deveria tentar ler O Túnel. Achei mais bonito que Sobre Heróis e Tumbas. :]
Se eu contar que adorei esse você acredita?
Achei muito bom mesmo, principalmente a terceira estrofe do primeiro ato. E adorei essa frase: “abrindo o peito para a lâmina”. A vida é mesmo assim, não briga com o tempo, já sabe que vai morrer mesmo, o importante é viver.
Mas olhando agora, a parte I não tem nada a ver com a II…rs. Mas gostei, muito mesmo.
e sabe, estive por São Paulo e consegui achar “Lavoura Arcaica” num sebo, todo riscado, como se a pessoa tivesse entrado em desespero, toda a lombada do livro riscada com bic azul. E essa parte que você citou é bem no início e oh… o que é esse livro, não é mesmo?
Bom que voltou
Bom saber que o senhor voltou e colhendo letras do pé plantado no quintal dos fundos.