Arquivo de 10 junho, 2010

Sobre portos e partir (II)

As implicações de Sevv me foram muito cruéis, a princípio, desatando-me a desfolhar minha pequena biblioteca, fazendo com que meus dedos se enroscassem numa nuvem: depois veio uma certa libertação, um lirismo banderiano, uma bandeira de paz comigo mesmo: reconhecimento no outro. Só então me partiram as manhãs, resvaladas em vinho, poderosa manifestação da dor de um cacho de uvas.

Os portos ficaram: se quiser ir novamente, terei de te fazer porto, levar teu corpo e tua mente e tua alma e todos os apêndices que te formam, pequenina manhã, manhãzinha de sol frágil, para que tu também possas ver o que vi, o que verei, o que nos toma por assalto, impactante, assustadoramente te levarei comigo como quem leva sonhos guardados num pote ou numa caixa de papelão: aqueço teu corpo e tu me aqueces, esqueces de mim por um segundo, dissonância da dor.


Burguesia

Híbrido espanto: poemas, contos, comentários e de vez em quando ciências sociais.

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