A conta, por favor.

Lutaste, escreveste, desempenhaste um papel. Foste o último homem
a levantar a língua contra o mundo, ternura seca.

Foste e já não existes: ficaste para nós como história
um vento a nos estancar os lábios: já não temos direito à voz, calamo-nos
porque o dia agita as vozes, detém as esperanças, atravessa
teu corpo (agora frio) e o transfigura de silêncio.

Um silêncio anunciado de palavras.

3 Respostas para “A conta, por favor.”


  1. 1 Daniela Borali junho 21, 2010 às 9:14 pm

    Suas palavras me tocam tão profundamente que chego a mergulhar num universo tão meu, tão particular, mas que só alcanço por meio desta magia incognoscível…
    Mais uma vez sinto-me viva!

  2. 2 Marcos junho 23, 2010 às 2:25 am

    Posso dizer, sem exageros, que morri mais do que já morro todos os dias com essa perda.


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Burguesia

Híbrido espanto: poemas, contos, comentários e de vez em quando ciências sociais.

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