Lutaste, escreveste, desempenhaste um papel. Foste o último homem
a levantar a língua contra o mundo, ternura seca.
Foste e já não existes: ficaste para nós como história
um vento a nos estancar os lábios: já não temos direito à voz, calamo-nos
porque o dia agita as vozes, detém as esperanças, atravessa
teu corpo (agora frio) e o transfigura de silêncio.
Um silêncio anunciado de palavras.
Suas palavras me tocam tão profundamente que chego a mergulhar num universo tão meu, tão particular, mas que só alcanço por meio desta magia incognoscível…
Mais uma vez sinto-me viva!
Posso dizer, sem exageros, que morri mais do que já morro todos os dias com essa perda.
Sinto sua falta!