Estar no mundo exige uma paciência da qual às vezes não disponho: alegram-me os pequenos passos que dou pela manhã, carregando ainda as cicatrizes da noite (voraz) que me consome em sonhos ou líquidos. Carrego, ainda, a existência mal-acabada, a inaptidão para o mundo, uma visão um tanto torpe da realidade: é contrastante meu modo de andar e viver quando correlaciono aos de outros.
Tentar colocar tudo num papel, desdobrá-lo como faço com essas sílabas, ancorar minha raiva e minha indignação em algo e supor que isso se executa de tal forma ou de outra maneira qualquer. Não me importa, de fato. Penso que não me importa, mas no fundo deve importar algo, afinal, me construo a cada dia nessas doses de horas, nesses arcabouços de falas e grunhidos que soltamos aos montes, ao léu, ao deus-dará.
Escrever é supor que há sílabas no intangível. É o maior acerto e o maior engano do homem. Escrever é silenciar o que é silêncio deveras.