É como se o pai, o patriarca da família, estivesse presente agora. Já pressinto os olhos fundos, a barba, os risos e também a súbita percepção de que tudo é findável: estivesse eu ali, retomaria o diálogo, tentaria expôr minhas culpas e meus devaneios – mas tudo o que fica é esse silêncio, essa brutalidade do ar pressionando os pensamentos dentro da casa. É estar só e sentir-se o mundo todo comprimido dentro destas dimensões. Eu poderia ser o ar, o arco, o início da árvore genealógica e estúpida na qual ponderaria minhas convicções assim como um monge, um andarilho ou um burguês: sou mórbido, inerte, aparentemente estilhaçado e só há uma palavra a me perturbar o sono na passagem das horas: fim.
Acordo: e o instante é lúcido como quem sai de uma caixa de segredos e se pauta em miniatura: são imensas as manhãs que tento beber, esconder no paletó, pisar com os sapatos sujos, acariciar com as mãos delicadas, estalar com os dedos vadios: fiz o que pude e o que pude foi pouco – fiquei a sobra, o sobrecarregamento de mim.