Ofício: cerzir cinzas.

Nessas manhãs de outono,
misturada à gritaria da chuva lá fora,
ouço a tua chegada: teus passos encharcados
de silêncio.

Danço com as palavras, deito-as em meu corpo e brinco e rio e sou vários: sou momentâneo como o ar, lástima de não ser vento, temporal, tempo: avanço e recuo meus pêndulos. Fico a rodopiar nesses verbetes, acaricio a estrutura maleável deste corpo, busco um compêndio de palavras gastas, roídas pelas transformações. Não sou vários, menti: sou um, sem armas e sem escudos, sou um. E tropeço em mim.

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2 Responses to “Ofício: cerzir cinzas.”


  1. 1 Daniela Borali maio 3, 2010 às 5:17 am

    Suas palavras me tocam como música!

  2. 2 Angela junho 9, 2010 às 1:49 am

    Muito boa a imagem Marcelito… “teus passos encharcados de silêncio…” algo que arranha os céus da alma, como o grito da pausa.


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Híbrido espanto: poemas, contos, comentários e de vez em quando ciências sociais.

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