Sobre portos e partir (II)

As implicações de Sevv me foram muito cruéis, a princípio, desatando-me a desfolhar minha pequena biblioteca, fazendo com que meus dedos se enroscassem numa nuvem: depois veio uma certa libertação, um lirismo banderiano, uma bandeira de paz comigo mesmo: reconhecimento no outro. Só então me partiram as manhãs, resvaladas em vinho, poderosa manifestação da dor de um cacho de uvas.

Os portos ficaram: se quiser ir novamente, terei de te fazer porto, levar teu corpo e tua mente e tua alma e todos os apêndices que te formam, pequenina manhã, manhãzinha de sol frágil, para que tu também possas ver o que vi, o que verei, o que nos toma por assalto, impactante, assustadoramente te levarei comigo como quem leva sonhos guardados num pote ou numa caixa de papelão: aqueço teu corpo e tu me aqueces, esqueces de mim por um segundo, dissonância da dor.

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2 Responses to “Sobre portos e partir (II)”


  1. 1 Daniela Borali junho 11, 2010 às 12:40 pm

    Assustadora e absurdamente te levo comigo…

  2. 2 Daniela Borali junho 12, 2010 às 5:57 am

    “Os outros eu conheci por ocioso acaso.
    A ti vim encontrar porque era preciso.”

    (Guimarães Rosa)


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Híbrido espanto: poemas, contos, comentários e de vez em quando ciências sociais.

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